quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Um pouco de vinho.

Então, em um momento de delírio, achei que precisava de mais vinho.
Engano meu, olhei para o lado, e vi que a garrafa já estava vazia, e meu copo pela metade.
Vi que a garrafa não estava sozinha, ela tinha sua companheira.
Quem estava sozinho, naquela noite, era apenas eu.

Vi que a chuva tinha espantado quase todos, e haviam poucas pessoas naquele bar.
Para que eu me sentisse mais miserável do que a vida já havia feito,
havia um casal apaixonado e alguns amigos discutindo qualquer coisa que lhes fazia rir.
Fiquei com inveja daquele casal, que me lembrava das 2 garrafas em minha mesa.

Eu sabia que o vinho não apagaria aquela mancha,
eu sabia que nada apagaria todo aquele vazio.
Infelizmente, a bebida não surte efeito na alma,
não como o efeito que eu queria.

Eu sabia que a única coisa que poderia curar aquela ferida em meu peito,
seriam os lábios daquela que era o motivo da minha presença.
Minha lucidez não podia ser justificada, até por já ter me abandonado.
A cada passo que eu dava em direção de minha casa, eu me sentia cada vez mais longe de meu mundo.

Me lembrei da garrafa que trazia em mãos, e com amargura, bebi mais um pouco.
A cada goda de vinho que envenenava o meu organismo,
eu imaginava o abraço dela, e fazia eu apenas querer mais vinho.

Eu sabia que o vinho não apagaria aquela mancha.
Deus! Como eu queria arrancar meu coração naquele momento.
Eu sabia que aquele vazio só seria preenchido por ela.
Eu sabia que apenas ela poderia saciar a sede da minha alma, assim como o vinho a do meu corpo...

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