quinta-feira, 10 de outubro de 2013

I don't know

Eu não reconheço mais a figura no reflexo do espelho.
Não foi o tempo deteriorando a minha memória, ou mesmo a minha forma física.
Não foram os anos, ou todas as batalhas que me deformaram em seu curso.
São estes olhos, tristes e desiludidos que eu vejo me encarando.
Eu não sei mais, nem ao menos, o que eu me tornei.
Parece que eu não vivi neste corpo, ou que meu espírito não estivesse sob esta pele...
Eu não reconheço a estrada que está atrás de mim, ou mesmo o caminho a minha frente.
Não posso mais indicar a música que marcou meu coração.
Não sei nem ao menos dizer se posso estar bem,
ou se vou partir na semana que vem.
Tudo que eu tenho feito é observar o meu mundo ruir,
com meus pés e mãos acorrentados por minha consciência.
Eu tenho estado aqui por tanto tempo, que meu corpo já se sente desgastado.
Eu tenho lutado de forma tão dura, que as cicatrizes nem se fecham mais.
Eu tenho me ignorado de tal forma, que minha voz já não consegue sair...

Retorno

Eu passo tanto tempo em fúria, que nem conheço minha natureza mais.
Eu não faço ideia do que posso fazer comigo a respeito disso,
mas a muito tempo que tenho me sentido perdido.
Sem sorte, não consigo encontrar um caminho, ou uma forma de lhe encontrar.
Você pergunta se estou bem, mas realmente não está interessada na resposta.
Eu vejo em seus olhos que você tem se afastado de mim,
e que hoje não somos nada mais do que estranhos que cruzaram em uma rua.
Eu vejo a chuva cair, e nada mais fazer sentido.
Eu desejava não sentir esse vazio, não me destruir com toda este ódio dentro de mim.
Não importa o quanto eu negue, mas eu ainda me importo com o que você tem a dizer.
Me sinto tão distante, mas mesmo assim não consigo retornar. Não mais.
Não consigo mais retornar, não com minhas próprias pernas.
Simplesmente eu caí, junto com essa chuva.
Perdido, sem sorte, não consigo mais retornar.
Perdido, cego por minhas sombras, eu não consigo mais retornar para os seus braços...

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Beast

Perdido em um mar de fúria e escuridão,
o que poderia fazer? Este instinto de auto-destruição continua invadindo minha alma.
Olhe a besta que eu posso me tornar,
destruindo tudo que está ao meu redor e absorvendo toda esta dor.
Eu pude retalhar minha alma com minhas próprias mãos,
mas nunca seria o bastante para acalmar meu coração.

Você não entende, você nunca entendeu...
Eu me destruí, enquanto lhe amava,
eu não posso mais parar, eu não posso mais controlar toda esta raiva...

Tudo que respira, tudo que pulsa, tudo que vive...
Tudo isso me causa fúria, me faz querer destruir...
Eu não posso mais me sentir assim, não posso mais me quebrar desta forma...

Eu me afastei, enquanto eu não me reconhecia em meus pensamentos,
eu vi o que a vida fez para mim, me fez correr para longe e rápido,
para um lugar que nem eu nem você poderíamos me encontrar...

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

"Então, se você se importar, eles podem te matar."

"Então, se você se importar, eles podem te matar."
Dizia aquele monstro a criança que não parecia com medo em momento algum.
Aquela criatura não podia entender o que acontecia,
por mais que seus olhos só refletissem a morte,
por mais que sua figura fosse a de um demônio,
aquela criança não parecia se importar.

"Como eles podem matar uma criatura tão forte como você?"
A dúvida era o único sentimento expresso pela criança.
Aquele demônio em forma de humano estava confuso,
acostumado em trazer dor, e se alimentar de tudo isto, não conseguia entender o que se passava.
Ele só queria sangue, ele só queria preencher aquele vazio, e mesmo assim,
não podia ver o medo naqueles olhos inocentes...

Apenas responder aquela pergunta importava agora.
O vazio, havia tomado conta de sua existência, e o monstro não queria mais a matança.
Ele não reconhecia mais o reflexo que via no espelho.
Sua forma parecia estranha, depois de tanto tempo.

Saindo daquele quarto, após alguns segundos que pareceram tão longos quanto décadas,
a criatura se vira, observa aquela criança, e apenas responde:
"Quando disse "eles", me referia aos sentimentos. Se você se importar, eles vão te matar..."
Depois deste momento, aquela frase se tornou apenas uma memória,
e a criatura foi destruída de todas as suas lembranças...

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Vitae

Seu sangue, correndo tão vivo em suas veias, tão quente,
me faz desejá-la mais do que o ar que eu respiro.
A cada toque em sua pele, esta se arrepia correspondendo ao prazer do ato.
Minhas mãos trêmulas pela sede, apenas seguem o caminho por entre as curvas de seu corpo...

Seu sangue, pulsando através deste corte...
Vermelho, tão vivo... Tão saboroso...
A sede incontrolável me faz beijá-la.
A sede incontrolável me faz provar de sua vitae que escorre na sua pele...

Seu sangue, em meus lábios, ainda carregam a vida que esvai de seu corpo.
Em meus lábios, seu sangue continua quente, quase como se ardesse em meu corpo,
e fizesse um coração morto há muito tempo atrás voltar a pulsar.

Seu sangue, que agora a pouco estava em seu corpo, agora pulsa em minhas veias.
Com a mesma vida, com o mesmo calor que havia em seu corpo, agora já frio...
Seu sangue me fez sentir vivo, quente, como nunca antes...