sábado, 17 de novembro de 2012

Era sábado, e chovia...

Esta é uma carta fictícia, produzida para uma campanha de Vampiro - A Máscara.

Madrugada de sábado, e chove muito para essa época do ano. O sol, prestes a nascer, me lembra da última vez que o vi. Faz algumas décadas? nem sei mais quanto tempo. Só queria estar ao seu lado agora, em meus últimos momentos... Sempre soube que não duraria tanto depois de descobrir tais segredos, mesmo com todos os seus avisos. Eu sabia que podia confiar em você no momento em que te vi entrar por aquela porta simples, e reclamando da chuva que havia a pego sem aviso prévio. Você estava linda...
Como eu queria reviver todos aqueles momentos...
Me reservei ao direito de dar um fim a esta caçada sem sentido. Mas, já que é uma despedida, ainda tenho um pouco a dizer...
Por coincidência, foi sábado, tanto no dia em que nos conhecemos, quanto no dia que nos separamos. Por coincidência, chovia em ambos os dias. O mundo, alegre ou triste, viu um casal se unir e se separar, em pouco tempo, apesar de tempo para mim ser relativo, e não ter tanta importância... Foi bom estar ao seu lado. A perder, naquele incêndio, foi o meu fim, tantos anos atrás...
Me desculpe, eu não pude lhe proteger.
Hoje, eu sei o quanto você tentou me avisar, o quanto você lutou pra provar a um coração frio como o meu, que eu poderia ser diferente, mesmo com um passado tão negro. Eu te amei, e isso me mudou. O suficiente pra que eu não queira mais esta não-vida.
Se você está lendo isso, o sol já tocou minha pele, e isso significa que não estou mais aqui, estou com ela novamente, sendo feliz.
Muitos de meus segredos, serão jogados ao vento, assim como minhas cinzas. Mas o que quero com esta carta, é dizer o mais importante de todos. O mais valioso segredo, aquele guardado totalmente selado em um cofre que ninguém sabe onde encontrar, o segredo que tirou a vida de minha amada, e por isso, a razão de eu querer encontrar este segredo. Mas, irei revelar o segredo, a você, que ninguém sabe ser minha discípula, então, confio no seu julgamento quanto ao destino do pacote que acompanha esta carta.
A real razão, deste tanto de parafernálias velhas e que nem ao menos funcionam, é um quebra cabeças, que eu não fui bom o suficiente para solucionar. Alguns deste itens, obras genuínas de grandes nomes desta humanidade tão limitada, e porém tão complexa, valeria muito dinheiro. Mas sabemos que uma Cura para nossos males valeria mais que o dinheiro que o mundo já pode reunir. É exatamente isso que esses itens representam: o quebra-cabeças que nos guiará até a Cura.
Sim. A Cura.
Seria o fim de nossa sede de sangue. O fim de nossa saudade dos raios solares. O fim da loucura de muitos. O fim do sofrimento eterno de nossa amaldiçoada existência...
Eu, por própria decisão, preferi não viver o suficiente para poder ver a Cura.
Me sinto feliz por isso, e sei que você a deseja tanto quanto eu um dia desejei. Sei que se ela ainda estivesse viva, ia ficar muito contente em saber que envelheceríamos juntos...
Peço desculpas pelas lágrimas que caíram no papel, e também pela noite em Lisboa, que uma pobre e doente jovem teve a vida amaldiçoada a quase 2 séculos atrás. Por esta noite, que não gosto de me lembrar, você está aqui. Me desculpe, e obrigado. Você fez parte dos melhores 200 anos de minha vida. Você presenciou o nascimento de meu amor, e o viu se desfazer naquelas chamas.
Mais uma vez, me perdoe por todo mal que lhe causei, e muito obrigado por tudo.

Até um dia...

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