quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Por favor, permita que eu fique livre de você...

Sabem de uma coisa? Eu realmente gostaria de entender o porquê de todo esse peso.
Eu pareço gostar de estar submerso em um mar de dor, e ainda manter tudo que me faz mal por perto.
Como se a minha própria natureza, sugasse essa coisa ruim pra dentro de mim, e esperasse a minha carne absorver, e aos poucos encontrar a morte.

Eu queria entender, o motivo de eu me sentir culpado, por palavras que não foram minhas.
Sentir-me livre de uma responsabilidade que nunca foi minha.
Não ter medo de um deus que não se importa.

Eu sei de todo o inferno que eu já passei, de todas as vezes que eu, ainda ferido por seus atos, ainda corri atrás de você. De todas as vezes que eu ainda tinha esperanças de que seria diferente, e que nada mudou.
Eu só queria não chegar a esta morte metafórica que me encontro, que toda esta dor não existisse.
Eu só queria não ter de sentir tudo isso, ao menos uma vez.

Então, por favor, pare de me destruir.
Por favor, permita que eu fique livre de você...

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

A benevolência de um Deus

Um certo Deus, lhe põe a prova. Coloca todos os obstáculos na sua frente, sem nem mesmo um tempo pra que você possa respirar. Ele lhe mostra o inferno, diversas vezes ao dia, lhe castiga a carne, lhe prova que você nunca será forte o suficiente. Lhe derruba diversas vezes, e quando você se cansa, ele mostra que a brincadeira está apenas começando. Mostra ainda, que nunca você vai superar todo o mal que lhe cerca. Mostra que você nunca será algo que transcenderá todas as sombras deste vale, que lhe cerca, lhe destrói, lhe mata. Este mesmo Deus, se afirma benevolente, enquanto rasga sua carne, corrompe seus amores, e descarta seus sonhos e faz com que sua força seja esmagada, como se uma formiga tentasse sobreviver as investidas de um búfalo. Ele te derruba, usa seu sangue de pintura para o chão, e quando você ainda sobrevive a tudo isto, ainda manda pessoas para fingirem lhe ajudar, mostrar a ilusão de graças que lhe aguardam. E quando você se põe de joelhos, tentando se reerguer, o mesmo Deus, benevolente, começa a sua empreitada, mais uma vez destruindo tudo em você. Ele esfola sua alma e o faz engolir o resto da mesma. E depois que lhe mostra tudo isso, ainda lhe julga, por pecados que Ele mesmo o forçou a cometer, por todo ódio que Ele mesmo criou, pela fúria que Ele mesmo causou.

Agora, se me perguntarem, vou ter a mesma resposta. Deus existe, inegável. Mas seria melhor que não...

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Relatos de uma noite.

São quase meia noite. Em dias normais, chegaria da faculdade, sentaria em frente ao computador, e assistiria um pedaço da falsa imagem humana em alguns sites familiares. Mas hoje, eu apenas olho para o relógio, e sinto a pulsação através de cada movimento do ponteiro de segundos. Vejo a vida fugir a cada minuto, jogado em meu sofá. Me levanto, meu corpo tem fome. Abro a geladeira, mas nada que alimentaria o vazio que sinto dentro de mim. Eu não preciso de comida. Eu não preciso de nada que a matéria possa me proporcionar. Esse vazio, acompanhado de um frio, cresce a cada badalar do relógio, da parede da sala, que observa enquanto agonizo e procuro me aquecer. Corro, pelo vazio de minha casa, arrastando-me em minha consciência, que vomita palavras hostis em minha mente, atormentando mais ainda meu corpo cansado. Nenhum de meus cobertores, nenhum de meus agasalhos, pode aquecer meus ossos trincados com o gelo do meu olhar. Ver estes olhos mortos, me aflige a carne, me faz querer arrancá-los.
Já são quase 3 da manhã, e eu ainda não encontrei o caminho dos sonhos. Meu corpo, imóvel, continua em mesma posição neste sofá. Não se trata mais da inércia, e sim uma questão de sobrevivência. Vejo minha mente girar, em torno do nada, enquanto apodreço em uma caverna escura. Não consegui mais seguir a minha força de vontade, até ela me abandonou. Minha respiração, já ofegante e sufocada, já não dá mais conta de suprir a falta que sinto do ar puro que sentia quando ainda podia respirar. O tempo, escuro lá fora, mostra o que meus olhos nunca virão quando estivera claro. Eu sentia medo. Eu estava com medo. Eu era medo.
Medo, desta vida terminar, logo que tudo melhorasse, medo de ter de enfrentar tudo novamente. Medo, de não ser suficientemente forte para suportar continuar me levantando, após cada golpe. Medo que amanhecesse, e não me lembrasse de me levantar, para passar por isso tudo novamente.
Sufocado, vejo meu celular despertar, já são 6 da manhã. Asfixiado por aquele medo, sou obrigado a me levantar. O corpo dolorido, pela noite não dormida. Me levanto, sabendo que viverei um dia longo, terei de sorrir enquanto sinto as feridas se abrirem por baixo desta máscara, olhando o relógio, e sabendo que minha tortura noturna se aproxima a cada segundo.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Você sorriu...

E então, você sorriu.
E com esse sorriso, disse que estava feliz. Me disse que tinha feito um acordo com Deus. E com esse sorriso, disse que não se aguentava em felicidade...
E com esse sorriso, arrancou-me o coração, e me viu sangrar sem entender nada, estático.
E então, com esse sorriso, me disse que era o fim. E que não havia nenhum problema...
Eu me pergunto, se de algum jeito, poderia eu enfrentar um destino diferente.
Oh, se eu pudesse, como se eu pudesse algo...
Então, me lembrei que seu sorriso que me feriu.
Me lembrei de todas as palavras falsas.
Então, mesmo sangrando, me levantei.
E então, mesmo sangrando, lhe dei o mesmo sorriso.
Então, mesmo sangrando, disse que estava feliz. Lhe disse sobre meu acordo com Deus. E que este acordo, era especial, e me fazia feliz.
E com esse sorriso, e com todo sangue escorrendo, lhe disse que meu acordo lhe propunha o mesmo destino que o meu.
Então, lhe disse sorrindo, que Deus não estava satisfeito com tudo isto.
Mas já não havia nenhum problema...

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Desabafo.

Uma coisa engraçada, é como eu sofri pra chegar até aqui.
Perdi incontáveis noites de sono, feri por muito tempo não só a minha carne,
mas meu ego principalmente.
Perdi coisas muito preciosas, enquanto você apenas sorria.
E dominava a minha mente, apenas por existir.
Enquanto eu caía, e era forçado a levantar por um mundo cinza,
você era alguém que coloria o meu dia.
Mas a cor, sempre foi uma ilusão.
Eu sempre soube que nada era verdadeiro, e que o hoje,
era apenas algo que me levava por um caminho tortuoso e cheio de armadilhas.
Eu sabia que eu estava caminhando para a morte.
E nem mesmo isso, fez com que eu me importasse.
Eu queria isto.
Eu precisava disto.
Deus sabe o quanto eu tenho lutado em vão,
quanta energia já fora desperdiçada...
Eu continuei forte, a todo momento.
Sempre, sempre, eu me senti morto, mas me guiava por falsas esperanças.
Eu queria que um dia, tudo tivesse seu fim.
Cheguei a desafiar Deus para que este fim chegasse.
Eu não sei, mas talvez ele não tem me ouvido...
Ou talvez omissão seja a resposta Dele, nunca saberei...
Você diz achar luz em mim, mas, sinceramente,

não me vejo nada diferente de um poço de trevas...
Eu quis ser esse anjo, iluminar o dia, e fazer a chuva passar.
Mas, sempre fui limitado a este pedaço de matéria,
com uma alma que já não pode mais sonhar.
Tanto eu como você, sabemos que fim isto teria.
E eu queria este fim.
Queria mesmo.
Deus sabe o quanto.
Mas, também sabemos que ele não tem nos ouvido ultimamente.
Talvez seja melhor assim,
talvez, o fim seja ainda pior que tudo isto.
ou seja bom demais para nós.
Nunca saberemos...